Golpe da chamada de vídeo: como criminosos induzem vítimas a entregar o controle do celular
Esta semana, duas pessoas muito próximas a mim — minha mãe e meu tio — foram vítimas de um golpe envolvendo chamadas de vídeo durante uma negociação online em um perfil falso de um marketplace.
O golpe não começa com um vírus ou com um link suspeito. Ele começa com algo muito mais simples: uma conversa aparentemente normal com alguém que se apresenta como vendedor.

💬 Como o golpe acontece na prática
Abaixo está um exemplo muito próximo do que aconteceu no caso real.
Golpista: "Bom dia, qual produto lhe interessou?"
Golpista: "Se a senhora for aposentada tem desconto na compra."
Golpista: "Posso te chamar no WhatsApp para falarmos melhor?"
Golpista: "Vou ligar de vídeo que fica melhor."
Golpista: "Vou mandar o catálogo de produtos para a senhora dar uma olhada."
Golpista: "Estranho, não estou conseguindo enviar."
Golpista: "Acho que o celular da senhora está bloqueando o envio."
Golpista: "Tem três formas de mandar, vou tentar outra."
Golpista: "Não foi de novo, parece que seu celular bloqueia mesmo."
Golpista: "Vamos fazer o seguinte: compartilhe sua tela para eu te ajudar."
Golpista: "Agora entra nessa opção, ativa isso… confirma ali."
Golpista: "Vou enviar o catálogo novamente. Deu certo, agora pode clicar para abrir."
A partir desse momento, ela perdeu todo o controle sobre o celular. Aparecia uma tela preta — não era possível saber se estava desligado ou apenas bloqueado, e não dava para ligar nem desligar.
Após muitas tentativas e estratégias, conseguimos ligar o celular, mas ele estava completamente alterado: não era possível remover nenhum aplicativo nem fazer a restauração de fábrica.
Fazer um hard reset.
🎥 O que criminosos capturam na chamada
- 📷 Biometria Facial: gravação do rosto para desbloqueio posterior.
- 🎙 Clonagem de Voz: uso de IA para enganar familiares.
- 📱 Apps Instalados: identificação de bancos e carteiras digitais.
- 🔔 Notificações: captura de códigos SMS e autenticação.
Nunca compartilhe sua tela nem altere configurações do celular sob orientação de desconhecidos.
📌 Conclusão
Golpes digitais raramente começam com algo obviamente suspeito. Na maioria das vezes, eles surgem em conversas aparentemente normais, aproveitando momentos de pressa, confiança ou curiosidade. O pedido para compartilhar a tela do celular pode parecer um simples passo para resolver um problema técnico, mas é justamente aí que muitos criminosos encontram a oportunidade para agir.
Manter uma postura de cautela em interações online — especialmente com desconhecidos — continua sendo uma das formas mais eficazes de evitar esse tipo de fraude. Segurança digital hoje não é exagero. É uma medida básica de proteção no cotidiano conectado.
